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#COP21 Paris

(Quase) tudo sobre a minha participação na 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP21) em Paris de 30/nov a 11/dez 2015



Sexta-feira, 13.11.15

Enquadramento internacional

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Na sequência do aprovado na última reunião anual das Nações Unidas em Lima, no Perú, todos os países foram chamados a indicarem as suas “contribuições nacionais” para 2030 (as denominadas INDCs (intended national determined contributions). A UE vai reduzir até 2030  as suas emissões em 40%, em comparação com os níveis de 1990. Os EUA vão reduzir até 2025 as suas emissões em 26% a 28%, em comparação com os níveis de 2005. A China concordou que as suas emissões atingirão um pico antes de 2030.

 

Os países responsáveis ​​por cerca de dois terços das emissões globais já apresentaram os seus compromissos assumidos, e, infelizmente, os mesmos não serão suficientes para impedir um aquecimento abaixo de 2 graus Celsius em relação ao período pré-industrial o que terá consequências dramáticas. A fim de reforçar essas metas, foram sugeridas duas abordagens: a de que mais esforços devem ser feitos para reduzir as emissões fora do processo das Nações Unidas, por exemplo, envolvendo "atores não-estatais", como cidades, governos e empresas, e, por outro lado, que os compromissos nacionais devem ser objeto de revisão periódica e tornarem-se mais exigentes nos anos após a reunião de Paris.

Olhando de forma mais pormenorizada para os compromissos apresentados por 147 países, a comunidade científica já avaliou como é que as emissões em causa afetariam as alterações climáticas. Infelizmente, conclui-se que os valores de emissão ainda estão muito aquém do montante necessário para evitar um aquecimento 2º Celsius em 2100. As emissões de carbono do mundo, atualmente cerca de 50 mil milhões de toneladas por ano, vão ainda aumentar ao longo dos próximos 15 anos, mesmo se todas as promessas nacionais feitas forem cumpridas, atingindo-se 55 a 60 mil milhões por ano em 2030.

 

Para se perceber melhor este valor, o mundo terá de cortar as emissões para 36 mil milhões de toneladas de carbono por ano para ter uma probabilidade de 50% de manter o aquecimento abaixo dos 2º Celsius. Se os países desenvolvidos se podem comprometer com uma maior utilização de energias renováveis, o aumento da industrialização dos países em desenvolvimento conduzirão a um aumento global, não havendo expectativa de que as promessas comunicadas sejam alteradas até Paris, inclusive.

 

O mundo está portanto muito aquém da meta de carbono desejável, dado que, se todos os compromissos forem implementados, em seguida, as temperaturas globais vão subir 2,7 ºC (o que não sei deixa de ser melhor que as previsões de há um ano que apontavam para um aquecimento de 3,1 ºC. (de acordo com os cálculos da CAT – Climate Action Tracker). O papel da Índia e da China serão decisivos na variação das emissões no futuro.

 

Um grande obstáculo para as negociações em Paris será o financiamento, sendo que é suposto angariar-se 100 mil milhões de euros por ano a partir de 2020, inclusive, no âmbito do Fundo Climático Verde. Os países desenvolvidos - que são responsáveis ​​pela maioria das emissões de carbono - têm que encontrar maneiras de pagar aos países em desenvolvimento para que possam adotar tecnologias de baixo carbono, nomeadamente investindo em energias renováveis, bem como permitirem a sua adaptação a um clima em mudança.

 

Vale a pena lembrar, que na recente aprovação dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável em Nova Iorque de 25 a 27 de setembro, a Cimeira do Clima em Paris e os resultados eventualmente conseguidos serão um primeiro teste para as metas de sustentabilidade traçadas á escala mundial para o ano de 2030.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Francisco Ferreira às 11:15




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