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#COP21 Paris

(Quase) tudo sobre a minha participação na 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP21) em Paris de 30/nov a 11/dez 2015



Sábado, 05.12.15

O FIM DE UMA ERA: porque cada país europeu deve ter um plano para terminar o uso de carvão na produção de eletricidade

End of an Era.jpg

Os líderes políticos da Europa devem aumentar drasticamente os esforços para eliminar progressivamente as emissões poluentes associadas às centrais termoelétricas a carvão, se quiserem ser consequentes na prevenção das alterações climáticas.

Um estudo divulgado hoje, encomendado pela Greenpeace Reino Unido e pela Rede Europeia de Ação Climática (CAN Europe), revela que as emissões de carbono associadas ao progressivo envelhecimento das centrais a carvão na Europa terá de ser reduzida de forma três vezes mais rápida do que a taxa atual, para estar em linha com os esforços globais para evitar uma maior subida de temperatura.

Através da base de dados mais abrangente de sempre das centrais termoelétricas a carvão da Europa, especialistas das organizações Sandbag e CAN Europe conseguiram calcular pela primeira vez a quantidade de carbono libertada pelas 280 centrais atualmente em funcionamento na União Europeia (UE) e a sua evolução.

Coal facts for EU countries 2015 final.jpg

Em 2014, a enorme quantidade de centrais a carvão da Europa lançou um total de 762 milhões de toneladas de CO2 - tanto quanto as emissões combinadas de França, Espanha e Portugal. Tal corresponde a quase um quinto (18%) das emissões totais da UE de gases com efeito de estufa, uma fatia tão grande quanto a do sector dos transportes rodoviários de toda a UE (21%) (dados de 2012).

O Reino Unido tornou-se recentemente a primeira economia do G20 para anunciar um plano para terminar o uso de carvão com o objetivo de terminar o uso de carvão até 2025. Uma decisão semelhante teve lugar anteriormente na Áustria, que está agora no bom caminho para se tornar um país livre do uso de carvão quando a última central fechar em 2025. A Finlândia também já se tinha comprometido a eliminar progressivamente o carvão, terminando o seu uso da década de 2020.

Portugal sem recurso ao carvão a partir de 2021?

O recentemente aprovado Programa Nacional para as Alterações Climáticas 2020/2030 afirma que a partir de 2030 não há haverá centrais térmicas a carvão a produzir eletricidade em Portugal. Durante a última década, o país aumentou a sua capacidade de produção de eletricidade a partir de fontes renováveis, em particular eólica e solar, complementando a componente hidroelétrica existente, que fornecem cerca de 60% do total consumo nacional.

EU's coal fleet final.jpg

Portugal também tem investido em centrais termoelétricas de ciclo combinado a gás natural que têm uma produção reduzida face à diminuição da procura. Portugal tem duas grandes centrais a carvão com potências de 1192 MW em Sines e 628 MW no Pego. Os contratos entre o Estado e essas centrais vão terminar em 2017 em Sines e em 2021 em Pego. Após essas datas, sem os subsídios que têm apoiado este setor, as centrais terão que funcionar em circunstâncias económicas muito mais difíceis no mercado da eletricidade.

Se nenhum apoio do governo for disponibilizado, ambas as centrais terão certamente de fechar. Vários fatores devem ver a pressão para fechar estas centrais a carvão: o preço do carbono na Europa deverá aumentar com as novas regras de comércio de emissões; um sistema elétrico dominado pelas energias renováveis ​​obriga a centrais termoelétricas com um funcionamento mais flexível, o que não é o caso das centrais a carvão; e a oportunidade de melhorar as interligações entre Portugal, Espanha e França permitirá uma gestão mais eficiente da rede, através da qual estes países poderão compartilhar a capacidade de geração através das fronteiras.

Why coal is bad for the climate final.jpg

Se o governo tomar a decisão de deixar de subsidiar o carvão - uma medida que faz sentido económico, irá proteger o clima e melhorar a qualidade do ar - Portugal tem uma excelente oportunidade de estar livre do uso de carvão na produção de eletricidade a partir de 2021.

Efetivamente, e tendo participado como especialista neste relatório no que ao caso português diz respeito, analisando os dados da produção de eletricidade em Portugal de janeiro a novembro desde ano, 28,4% da eletricidade foi produzida nas centrais de Sines e do Pego, dado estarmos num ano abaixo da média em termos de produção de origem hídrica. Neste período, o total das duas centrais emitiram 11,2 milhões de toneladas de dióxido de carbono-equivalente, o que, extrapolando para o total do ano, significa 19% do total das emissões do país (tendo por base os dados de 2013).

Mesmo não substituindo para já o uso do carvão por renováveis mas sim pelo uso de centrais de ciclo combinado a gás natural (atualmente muito subutilizadas mas com uma eficiência muito maior e menos poluentes), poderíamos reduzir em 60% essas emissões de dióxido de carbono.

O Governo deve terminar nas datas previstas a enorme subsidiação ao uso de carvão que é feita através do pagamento dos denominados Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC) no caso de Sines e do Contrato de Aquisição de Energia (CAE) no caso do Pego.

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por Francisco Ferreira às 07:00




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