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#COP21 Paris

(Quase) tudo sobre a minha participação na 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP21) em Paris de 30/nov a 11/dez 2015



Quarta-feira, 02.12.15

O super-herói CAPMAN é lançado hoje na #COP21 para lutar contra as emissões de CO2

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Nasce hoje um novo super-herói, o CAPMAN, uma espécie de versão actualizada do Pac-Man, mas que agora promete ‘comer’ as emissões de dióxido de carbono (CO2) de forma a manter o inevitável aquecimento global abaixo dos 1,5ºC (em relação à era pré-industrial).

logo_capman.png

 A iniciativa parte das ONG Carbon Market Watch e Pixel-Impact e já está disponível em www.cap-man.net, apesar do lançamento oficial apenas ocorrer ao final da tarde desta quarta-feira no pavilhão da UE na #COP21.

O jogo divide-se em quatro cenários, nos quais o CAPMAN lutará para manter o planeta habitável, enfrentando vilões como as emissões de CO2 e as licenças de “ar quente” (licenças de emissões excedentes no âmbito do Protocolo de Quioto), entre outros mecanismos, incluindo os lobistas do carbono.

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por Francisco Ferreira às 15:13

Quarta-feira, 02.12.15

Estudo compara diferentes impactos para o planeta nos cenários de 1,5°C e 2°C de aquecimento global

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Um novo estudo realizado por Schleussner et al. 2015 sobre os diferentes impactos climáticos para os limites relevantes para a política, relacionados com o aquecimento global analisa de uma forma abrangente e comparável e pela primeira vez as diferenças nos impactos que o planeta enfrentaria entre um aumento de 1,5°C e 2°C de temperatura global em relação à era pré-industrial. O estudo fornece uma análise de oito impactos biofísicos relevantes, destacando as principais diferenças, tanto a nível global como em regiões hot-spot.

Os principais resultados incluem:

  • Os impactos significativos das alterações climáticas estão já projetados para um aquecimento de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais para todas as alterações climáticas e impactos, incluindo temperaturas extremas, precipitação extrema e períodos de seca, efeitos na disponibilidade de água, riscos de redução de rendimento das colheitas para as principais culturas de alimentos básicos, branqueamento de recifes de coral e subida do nível do mar. Os resultados somam a um corpo crescente de evidências mostrando que os riscos climáticos ocorrem em níveis mais baixos do que se pensava anteriormente.
  • Os impactos climáticos projetados aumentarão substancialmente entre 1,5°C e 2°C, com aumentos particularmente elevados em extremos de calor, o risco de redução da produção de culturas tropicais, branqueamento de recifes de coral e escassez de água subtropical.
  • As regiões subtropicais secas e tropicais surgem como pontos quentes (hot-spot) em que os impactos aumentarão mais fortemente entre 1,5°C e 2°C. Em combinação com a limitada capacidade de adaptação e elevada exposição da maioria dos países dessas regiões, aponta-se para um aumento substancial dos riscos das alterações climáticas.
  • Os resultados apoiam a análise do 5º relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) que avaliou os riscos para três dos cinco “motivos de preocupação” como sendo moderados a elevados para um aquecimento de 2 °C. Estes três incluem riscos para sistemas únicos e ameaçados, tais como os recifes de coral, os riscos de eventos extremos e uma distribuição desigual dos riscos em todas as regiões geográficas.

Principais resultados

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Rápido aumento em impactos acima de 1,5°C, críticos para regiões vulneráveis

Os aumentos dos impactos entre 1,5°C e 2°C são elevados, significativos e pronunciados em regiões com capacidade adaptativa limitada e elevada exposição.

Face a um aquecimento de 2°C, as regiões tropicais costeiras e ilhas enfrentarão os efeitos combinados de uma completa perda de recifes de corais tropicais, que fornecem proteção costeira e são uma fonte principal dos serviços dos ecossistemas e meios de subsistência; o aumento do nível do mar ocorrerá mais rapidamente que hoje, e serão maiores as ameaças de inundações costeiras e cheias. Limitar o aquecimento abaixo de 1,5°C pode reduzir este risco, dado que alguns recifes de coral poderão permanecer e as taxas e níveis de aumento do nível do mar serão reduzidas substancialmente.

As regiões tropicais surgem como pontos quentes para as tendências de aquecimento e riscos agrícolas. Embora as temperaturas extremas no cenário de aumento de 1,5°C ainda permaneçam em grande parte na extremidade superior das atuais variações climáticas verificadas, com 2°C os extremos de calor que até agora são altamente incomuns serão o novo normal em regiões tropicais.

Preveem-se riscos de reduções substanciais de rendimento das culturas regionais em particular em regiões tropicais no cenário de aumento de 2°C e, em menor medida, se o aumento não exceder os 1.5°C:

  • As produções de trigo regionais da África Ocidental estão em risco de reduções de 13% a 1,5°C de aquecimento e de 19% a 2°C;
  • Na América Central, Amazónica e Sudeste Asiático as projeções apontam para reduções de produtividade de milho locais superiores a 5% para 1,5°C e até e mais de 10% para 2°C.
  • Para a região Amazónica, prevêem-se reduções de produtividade de soja de 15% abaixo dos 1.5°C e de 20% abaixo dos 2°C de aquecimento.
  • Na produção de arroz, as projeções apontam para uma duplicação entre os dois limiares de aquecimento, por exemplo no Sul da Ásia, Sudeste da América do Sul e Planalto do Tibete.

A redução da produção e o aumento da escassez de água crescerão substancialmente entre os 1,5°C e os 2°C de aquecimento nas regiões secas subtropicais, sobretudo no Mediterrâneo. O crescimento populacional e a urbanização aumentarão muito a vulnerabilidade e os impactos climáticos nestas regiões. Em conjunto com outros desafios de desenvolvimento, os impactos das mudanças climáticas representam um risco chave para a segurança alimentar regional.

A região do Mediterrâneo, incluindo o Norte de África e do Levante, surge como um hot-spot para reduções severas na disponibilidade de água e para o aumento do período de seca, à medida que o aquecimento passe de 1,5°C para 2°C: as regiões que já têm escassez de água enfrentarão reduções na disponibilidade de água de até 15% até aos 1,5°C, mas este risco duplica para quase 30% de redução potencial no cenário de 2,0°C de aquecimento.

 

Detalhes da publicação: Schleussner, C.-F., Lissner, T. K., Fischer, E. M., Wohland, J., Perrette, M., Golly, A., Rogelj, J., Childers, K., Schewe, J., Frieler, K., Mengel, M., Hare, W., and Schaeffer, M.: Differential climate impacts for policy-relevant limits to global warming: the case of 1.5 °C and 2 °C, Earth Syst. Dynam. Discuss., 6, 2447-2505, doi:10.5194/esdd-6-2447-2015, 2015.

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por Francisco Ferreira às 14:44



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